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“Onde não há amor, pões amor e colherás amor.” São João da Cruz

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Já se encontrou com pessoas de personalidade difíceis ao longo de sua vida? Provavelmente sim. Quando estas pessoas passam rapidamente nem sempre deixam marcas profundas, mas, quando o assunto é conviver com elas pela vida toda… Aí a figura muda! Muitas vezes conviver com alguém que pensa diferente de nós, age de modo diferente, nem sempre com ética, supõe um esforço quase que sobrenatural. Muitas vezes sua personalidade formada com caráter duvidoso faz mal não apenas a ela mesma quanto o faz em relação aqueles que estão ao seu redor. Pode ser que este jeito de ser esteja relacionado a sua própria história: falta de afetos, excesso de proteção, isolamento da sociedade desde pequeno… e a pessoa vai criando um mundo seu, diferente do real em que vivemos, onde  ela se considera o centro do universo e das atenções, vivendo numa espécie de mônada.

O que fazer? ninguém pode mudar ninguém a não ser que a pessoa o queira. E se ela não quiser? Talvez o caminho seja então aprender a conviver sem que seja necessário a instalação de grandes conflitos. São João da Cruz, nos aconselha a colocar amor onde não há. Tratar as pessoas com dignidade, exaltar suas qualidades, realçar sua bondade mesmo em meio as maldades, ajudá-la a perceber o quanto ela é sagrada, qual o verdadeiro sentido de sua história, proporcionar a ela um ambiente agradável que a permita se enxergar e reconhecer seus dons e talentos, poder favorecer a ideia de escutar a ela própria: tudo isso são dicas do dia a dia que favorecem e amenizam a dificuldade nas relações humanas com aquelas pessoas com as quais não conseguimos lidar tão bem devido as diferenças de personalidade.

Conta certa história que ouvi, que uma vez um menino estava sentado no banco da praça e se preparava para comer seu lanche. Quando, de repente, lhe assenta ao lado, um andarilho faminto, que não lhe pede nada mas fita-lhe os olhos no alimento. O menino, comovido com a situação, e depois de contemplar-lhe o rosto sofrido por algum tempo, iniciou um diálogo fraterno com ele. Resolve então oferece-lhe a metade de seu lanche, ao que responde-lhe o andarilho: agradeço sua bondade. A fome é intensa, mas o que mais me alimenta é a alegria de me assentar ao lado de alguém e poder reconhecer neste alguém, a presença de Deus, que sentado ao meu lado, fez refeição comigo. Aquele menino na verdade, mais que um pedaço de seu lanche, havia lhe oferecido um pouco de si, de seu tempo, de sua atenção. Nem sempre o que as pessoas precisam é simplesmente comida e bebida. Elas querem um pouco de atenção, carinho, de amor. E, se colocamos amor onde não há amor, com certeza colheremos amor. Não perca tempo: ame neste dia com todas as potências de sua alma e colha um jardim bem irrigado de amor e de bondade, que tornarão seu dia e vida mais felizes.

Seminarista Bruno César de Almeida Silva, Diocese de Caraguatatuba