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Homenagem ao um jovem

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1379270_592977844094568_2141670293_nNo ano em que a Juventude católica mostrou sua cara ao mundo, nossa Diocese se entristeceu com o falecimento de um de seus jovens, no dia 11 de Outubro. Da Paróquia São João Batista, pároco Pe. Mauro, uma homenagem a jovem que se torna exemplo de dedicação.

PENA DE ANJO

Quando o silêncio se instala numa roda de conversa de uma hora para outra, quando sem querer o silencio passa no meio de nós sem pedir licença, costumamos dizer que em algum lugar no universo nasceu um anjo… Isso aconteceu conosco há 22 dois anos a atrás. O anjo brotou no coração da cidade de São Paulo e foi se derramando sobre o litoral norte…

O mundo está acostumado com anjos muito diferentes dos anjos que nascem por aqui. Os anjos do mundo são muito rococós, ou seja, muito rebuscados, asas muito grandes, maiores que o corpo, cheios de brilho, com aureolas flamejantes sobre as cabeças, cabelos louros cacheados, robustos, fortes, olhos azuis ou verdes, geralmente usando vestes longamente belas e prateadas, tocando harpas aqui e acolá e saltando de nuvens em nuvens como se não tivessem mais nada a fazer, como se vê nos filmes, na TV e nas pinturas da renascença.

Não… Definitivamente, não… O anjo que Deus nos permitiu conhecer é bem diferente desses aí… O nosso usava calça Jeans e camiseta. Seu porte físico era franzino e alto embora gostasse de se denominar Sarado, talvez não se valesse do que víamos por fora, mas se valesse do tivesse e vivesse por dentro. Jovem sereno, de fato não conseguíamos ver a aureola a olho nu, as asas sempre as tinha escondidas, organizado, gostava de jogar vídeo game, era bom no tênis de mesa, trabalhador, estudioso, orante, no lugar de harpas preferia percurssionar as músicas com a humilde meia lua, sobre tudo nas canções oferecidas a Jesus e a sua Mãe.

O anjo que tivemos a honra de conhecer parecia não se preocupar com tempo, parecia não conhecer o relógio e a palavra ‘Não’. Estava sempre disposto a ajudar e sempre respondia ‘Sim’. Penso que a sua professora no céu foi Nossa Senhora e a lição maior que ele aprendeu com ela foi escrever e dizer a palavra ‘Sim’:

  • Ele disse ‘Sim’ aos seus pais, sendo um filho exemplar;
  • Ele disse ‘Sim’ aos irmãos, apoiando-os em seus projetos;
  • Ele disse ‘Sim’ aos companheiros de trabalho onde ele atuou;
  • Ele disse ‘Sim’ aos amigos de escola e faculdade onde estudou e estava estudando e onde concluiu o seu TCC um dia antes de partir para o céu;
  • Ele disse ‘Sim’ Paróquia São João Batista, permanecendo nela quando seus pais se mudaram para o Morro do Algodão que pertence a Paróquia São José;
  • Ele disse ‘Sim’ aos Jovens Sarados sendo um amigo fiel, companheiro e compromissado com a Missão;
  • Ele disse ‘Sim’ aos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística, da qual sempre foi muito zeloso
  • Ele disse ‘Sim’ a Comunidade Canção Nova, na qual concluiria a caminhada Vocacional com mais apenas um encontro.
  • E entre todos esses “Sims”, respondeu ‘Sim’ a Deus no silêncio que o recolheu ao céu novamente há sete dias no mesmo silêncio que o introduziu um dia entre nós.

Maria Santíssima certamente foi a sua mestra do silêncio e Mestra do ‘Sim’. Este anjo de calça jeans, de terço no punho e de cruz no peito, carinhosamente chamado pelos amigos do grupo de “Julico” carrega no registro de nascimento o nome forte de imperador “Julio Cesar”, mas de imperador não tinha nada… O que impera é a dor da saudade no nosso peito. O que impera e a certeza que um anjo passou por aqui e deixou um rastro de bondade, um rastro de bom exemplo…

Olhando para o Julio eu descobri porque ele escondia as suas asas… Vendo a despedida que ele teve nesta paróquia descobri porque nunca o vimos voar. É por que suas asas eram feita de amigos… Cada pena equivalia a um amigo a uma amiga… E ao ir para céu, ele deu uma super chacoalhada nas asas e vejam quantas penas o anjo deixou espalhadas por aqui!

Pe Mauro José Ramos