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Com a palavra, Dom José Carlos (Edição Outubro/Novembro revista De Praia em Praia)

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” Minha saudação fraterna e cordial a todos vocês da Diocese de Caraguatatuba. Obrigado por vosso carinho e acolhimento demonstrados desde que aqui cheguei. Estamos em pleno mês de outubro que é dedicado s missões. Quando falamos em missões, não podemos falar apenas em missões no estrangeiro. Alguns tem esta vocação especial de deixar sua terra e partir para um país distante para anunciar Jesus Cristo. Mas todos nós por força da graça de nosso batismo somos chamados para a missão. Ser missionário é essencialmente sair de si mesmo e partir ao encontro do outro. O Papa Francisco está desde o início de seu pontificado falando da necessidade de descobrirmos a alegria de encontrarmo-nos na fraternidade e na alegria. Quando nos fechamos em nós mesmos, perdemos a capacidade de amar, quando nos dirigimos ao outro abre-se um universo de relacionamentos que fazem a gente crescer em todos os sentidos. Quando esse relacionamento com os irmãos acontece em nome de nossa fé e em vista de um mundo melhor para todos e tendo Jesus Cristo como referência, então iniciamos a construção do Reino de Deus. O Reino de Deus tem duas etapas: uma terrena e limitada, outra divina e eterna.

Neste mês de novembro termina o Ano da Fé proclamado pelo Papa Emérito Bento XVI. Pelo dom da fé recebido em nosso batismo somos capacitados a percorrer um caminho de realização pessoal que ultrapassa os limites terrenos e humanos e nos lança na dimensão do eterno. Nossa existência não pode ser explicada apenas pela mera evolução da matéria. Somos muito mais do que simples corpos de carne e ossos. Somos objeto de um Amor Infinito que nos amou primeiro e nos quer para Si. No início do mês de novembro temos o costume de visitar os cemitérios e lembrar dos nossos queridos falecidos.

Quando olhamos para um túmulo onde um dia depositamos um ente querido, sabemos que ali colocamos com respeito os “restos mortais”, sim tão somente restos mortais, de alguém que nos amou. Ali foram guardados carne e ossos que o tempo se encarrega de absorver. Num túmulo é impossível guardar sentimentos, ideais, experiências vividas, enfim o espírito de alguém. A alma que é a sede de toda essa vivência espiritual pertence Vida, pertence ao Criador. Comece olhando para baixo, para o túmulo, para mostrar respeito e carinho por aqueles que foram caros em nossa vida, mas logo, volte o olhar para o alto onde estão os espíritos de nossos entes queridos, no Reino dos Céus, junto de Deus que nos ama e nos quer todos ao seu redor. Não demorará muito e estaremos nós também unidos a eles festejando numa alegria sem fim a felicidade daqueles que creram na Vida Eterna.

Mas enquanto estamos peregrinando pelas estradas empoeiradas e confusas deste mundo, necessitamos do apoio e da companhia de todos com os quais convivemos no dia a dia. Assim formamos pela fé uma família dos filhos e filhas de Deus, que são as nossas paróquias. Assim como somos responsáveis pela família de sangue, também devemos olhar com carinho para a nossa família de fé. Uma das maneiras de cuidar desta família de fé é dedicando-nos e nos engajando nas atividades da paróquia. É muito importante nesta época de final de ano realizar nossas assembleias paroquiais e diocesana. Momento forte de graças que nos leva a partilhar nossos sonhos nossas esperanças e sobretudo cuidar de nossa caminhada através da programação e organização de nossas atividades. Olhando com carinho o que deu certo e melhorar, mas também o que não deu certo e nos perguntarmos com humildade, porque não deu certo e o que será preciso fazer para corrigirmos nossas falhas. Assim é que construímos um mundo de paz e de fraternidade. Eu sozinho não poderei transformar a sociedade desgastada pelo pecado, mas juntos olhando na mesma direção, impulsionados pela fé e guiados pelos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, certamente descobriremos a melhor direção a ser seguida.

A Igreja no Brasil está em busca de novo jeito de ser igreja. Ninguém tem a receita mágica para isso. Mas tenho certeza de que o Espírito de Cristo Ressuscitado sabe qual é a direção que precisa ser seguida. Um único indivíduo isolado jamais poderá contribuir para a construção de novo jeito de ser igreja. Uma comunidade unida pela esperança e pelo sonho de um mundo novo, e olhando na mesma direção pela força do amor, irá descobrir a porta de saída deste sistema ultrapassado e falido no qual vivemos para iniciar a caminhada rumo a Terra Prometida. Já houve um povo que fez uma experiência parecida e que foi bem sucedida. A caminhada deste povo apesar de suas incertezas e ilusões permitiram que o Verbo Eterno do Pai se fizesse um de nós no seio puríssimo de uma jovem humilde e simples.

Nossa geração está convidada a repetir esta busca com a mesma coragem e confiança rumo a plena realização de todos no Reino do Céu. Onde para sempre estaremos compartilhando, bondade, alegria, paz e Vida Eterna. Que o Senhor Jesus nos abençoe a todos.

Dom José Carlos Chacorowski CM