O calvário é a montanha das pessoas que amam”. São Francisco de Sales

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O sofrimento está presente de algum modo na vida de todas as pessoas. Ele chega quando menos esperamos e tão logo se instala. O que fazer então? Para onde fugir? A Tradição Cristã sempre encontrou um sentido sublime ao lidar com o sofrimento. Este não deve ser buscado mas, quando chega é preciso enfrentá-lo com coragem e maturidade. A vida dos santos e santas, amigos e amigas de Deus, está marcada pela mística do amor que supera e é capaz de pôr fim a toda prova e sofrimento. As Escrituras são claras ao transmitir que não há ressurreição sem antes se passar pela experiência da Cruz. Jesus alerta seus discípulos para o dado de quem quiser segui-lo precisará tomar a sua cruz, renunciando a si mesmo e só então estará apto ao seguimento.

Me recordei ainda ao pensar sobre a experiência do sofrimento na figura das mães. A começar por Nossa senhora, mulher e mãe de força singular. Modelo para todas as mães. Acompanhou o filho em todo o sofrimento, esteve aos pés da cruz, tomou o filho morto em seus braços e ainda assim encontrou forças para presenciar a Ressurreição do Filho e o cumprimento da promessa acerca do envio do Espírito Santo. Com ela, relembramos tantas mães que choram as dores de seus filhos, escravos dos vícios, feridos pela violência, assassinados injustamente por uma bala perdida… Mães que ofereceram tudo para seus filhos mas, foram por eles desprezadas e abandonadas… Mães que morreram sozinhas, fruto da ingratidão de quem não aprendeu o que é o amor ágape, doação total de si como dom em favor do outro, para que o mundo tenha vida.

Os sofrimentos são duros, são muitos, nos fazem refletir. Porém, ninguém pode deixar de considerar que o sofrimento enquanto consequência do amor nem se compara a glória e alegrias eternas que eles nos farão participar na beatitude dos santos, daqueles que foram salvos e tiveram suas vestes lavadas no sangue do Cordeiro. Que poder tem o beijo de uma mulher que, ao tomar o filho nos braços depois de um tombo, faz passar a dor das machucaduras… Porque uma mãe faria tudo de novo por seu filho, passaria novamente noites em claro, mesmo sabendo que ele poderia vir a esquecê-la? Pode a mãe esquecer o seu filho, a criança que gerou? ainda que esquecesse Deus não se esqueceria.

Neste dia não deixe de acreditar que se o amor que está em ti passa pela montanha do calvário, talvez você esteja no caminho certo. Tão logo a dor vai passar e a ressurreição chegará.   Não procure sofrimentos, mas se eles chegarem, vença cada um deles na força da fé e na força do amor. Quem ama vence sempre, e não para no calvário: quem ama canta a vitória que manda pra fora toda dor, e proclama Jesus, o Senhor.

Seminarista Bruno César de Almeida Silva, Diocese de Caraguatatuba