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Palestra e Homilia no 24 AVIV – Canção Nova

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Mudar para Transformar

São Vicente há tanto tempo já sentia a necessidade da mudança na sociedade. Neste ano a família vicentina sentiu a necessidade de refletir o que nos é preciso atualizar, mudar. Se a gente não acredita nesse Deus da providencia, que é vivo e está presente o tempo todo, tem medo da mudança.

Deus nos deu propostas, metodologias para completar aquilo que é o melhor quando nos abrimos e partilhamos. Como utilizar melhor os dons e talentos que Ele nos deu?

É mais fácil viver na mesmice. Como aqueles que guardaram os talentos que tinham, como na parábola dos talentos. Os dons que Deus nos da é para ser colocado em prática. Nós nem imaginamos o que vem na confiança e no sim para aquilo que Deus tem para nós.

Deus correu o risco de acreditar em nós, que podemos fazer coisas boas, contribuir com a criação, pensar o bem como Ele pensou.

Se sofremos, lutamos, buscamos acertar, temos desafios, é porque estamos no caminho certo. Se está difícil é porque seguimos o caminho de Cristo aquele que não foi aplaudido o tempo todo, mas foi tantas vezes caluniado. Até o alto da cruz Jesus foi fiel e coerente com aquilo que propôs. Se não foi fácil para Jesus, não será para nós. Ele não fez “propaganda enganosa” para ninguém.

Jesus veio pra servir e não pra ser servido. Quem busca vaidade e poder será humilhado. Quem faz em serenidade e sem interesse, a seu tempo, a obra vai brilhar. Sou um enviado, instrumento, a obra é de Deus. Precisamos estar dispostos e abertos para a missão, unidos. Será que somos “funcionários” desinteressados que fazem as coisas apenas quando estão olhando? Do que adianta? O santo é sereno porque sabe que a obra é de Deus. Ele sabe e confia que Deus é providente e de uma situação que nada da certo ele consegue tirar uma vantagem.

Nossa capacidade de mudar está na medida do nosso relacionamento com Deus. Não foi a toa e sem motivo que cada um chegou aqui.

Temos que olhar com o coração de Deus como Jesus fez. Ele da exemplo na parábola do bom samaritano onde diz que o próximo é aquele que está perto, que se tem compaixão para com sua dor, sofrimento. O próximo é aquele que me aproximo com misericórdia e compaixão.

Pela eucaristia e a Palavra de Deus a diversidade de dons não nos causa inveja. Os dons são diferenças que se completam. Somos convidados a dar prova de fé nessa missão que nos é concedida.

Transcrição e adaptação Clarissa Oliveira
Dom Antonio Carlos Altieri
Bispo de Caraguatatuba (SP)

 

Louvar e viver a Palavra de Deus

Perto de comemorarmos o dia de São Jerônimo, que se dedicou muito tempo para traduzir a Bíblia, lembramos que temos dois documentos que nos fala da importância de se dedicar a Palavra de Deus. O Dei Verbum, nos fala sobretudo de valorizar a Palavra na Santa Missa, de ter a comunhão com esta Palavra, na primeira parte da missa, equiparando com a Eucaristia, dizendo: “Não se aproxime do banquete Eucarístico, quem não participou do banquete da Palavra”.

E enquanto a Palavra não penetrar em nós, não podemos dizer que somos amigos de Cristo. Pois não há como ser amigo de Jesus, se não fazemos aquilo que Ele manda.

Jesus veio para nos lembrar quem somos, filhos de Deus. Precisamos reassumir essa condição e se temos essa certeza temos tudo, pois somos herdeiros do céu. Cristo renunciou sua condição divina assumindo sua condição humana para estar no nosso meio e com isso nos elevou.

O tema desde Aviv “Mudar para transformar”, nos faz refletir nós podemos mudar, não devemos nos impor as mesmas coisas, Deus nos permite sermos novos, de viver a novidade que Ele mesmo nos dá, precisamos fazer nossa parte, acreditando sermos filhos de Deus. Ele nos criou sem a nossa participação, mas não quer nos salvar sem a nossa participação.

O evangelho relata a história de dois filhos, o primeiro fala que vai e não vai e também o segundo que diz que não vai, mas na hora vai. Devemos nos perguntar em qual grupo estamos, estamos seguindo a lei pela lei, achando que somos melhores, os escolhidos? Lembre-se que Jesus condenou os hebreus que o louvavam com lábios, mas os corações estavam longes. E acolheu as prostitutas, coletores de impostos. Somos o primeiro ou o segundo filho? Ou somos o terceiro, aquele que fala que vai e realmente vai.

A celebração de hoje nos convida a fazer mais do que cantar louvores a palavra, nos convida a tomar a decisão de vivê-la.

Papa Bento XVI escreveu um outro belíssimo documento Verbum Domini, que também fala da riqueza da Palavra do Senhor, um Deus que nos fala, que nos responde. Devemos nos dedicar cada dia mais a leitura da Palavra.

Com a decisão de viver a Palavra de Deus no dia a dia, com louvores, mas não somente, mas também vivendo, continuemos nossa caminhada.

Transcrição e adaptação: Regiane Calixto
Dom Antonio Carlos Altieri
Bispo de Caraguatatuba (SP)